sábado, 23 de abril de 2016

Hans Staden


O alemão Hans Staden viajou duas vezes ao Brasil (1547 e 1550) e relatou em livro tudo que se passou durante seu período. Seu livro teve grande repercussão por conta de suas ilustrações, descrições de rituais antropofágicos, animais, plantas e costumes exóticos. Para os estudiosos, a obra contém informações de interesse antropológico, sociológico, linguístico e cultural sobre a vida, os costumes e as crenças dos indígenas do litoral brasileiro na primeira metade do século XVI.
Em sua primeira viagem ao Brasil esteve no estado de Pernambuco, enquanto que na segunda embarcou na expedição espanhola de Diego Sanabia, novo Governador do Paraguai. Contudo, seu navio naufragou nas costas do litoral fluminense. Por saber lidar com canhões, os portugueses destinaram Staden a artilheiro do Forte de Bertioga e foi defendendo esse forte que os tupinambás (inimigos dos lusos) o capturaram.
Staden foi capturado por um aborígine chamado Nhaepepô-açu ("Panela Grande") e, em seguida, foi dado de presente a outro chamado Ipirú-guaçu ("Tubarão grande"). Uma vez, carregaram-no até a aldeia de Tiquaripe, perto de Angra dos Reis, para ver um dos seus inimigos ter a cabeça esmagada por um ibirapema (tacape de execuções). Logo em seguida, assistiu o corpo ser devorado pela tribo inteira, embriagada previamente com licor de raízes de abatí.
Um trecho do documento de Staden quando este chegou pela primeira vez na aldeia de Ubatuba, prisioneiro dos índios:
“[...]vimos uma pequena aldeia de sete choças... Chamavam-na Ubatuba. Dirigimo-nos para uma praia aberta ao mar. Bem perto trabalhavam as mulheres numa cultura de plantas de raízes, que eles chamavam mandioca. Estavam ai muitas delas, que arrancavam raízes e tive que lhes gritar, em sua língua "Aju ne xé peê remiurama", isto é: "Estou chegando eu, vossa comida."... Deixaram-me com as mulheres. Algumas foram à minha frente, outras atrás, dançando e cantando uma canção que, segundo seu costume entoavam aos prisioneiros que tencionavam devorar. [...] No interior da caiçara arrojaram-se as mulheres todas sobre mim, dando socos, arrepelando-me a barba, e diziam em sua linguagem: "Xé anama poepika aé!" – “Com esta pancada vingo-me pelo homem que teus amigos nos mataram".
Staden fez de tudo para convencer seus raptores de que ele não era um peros (um português), mas sim um mair (francês), portanto um aliado deles. Conseguiu pelo menos deixá-los na dúvida. E por fim, os tupinambás o transformaram em um animal doméstico que “Tubarão Grande” conduzia amarrado como um cão para todos os lados.
Staden chegou a abordar um barco ancorado bem próximo à praia para pedir asilo. O comandante se recusou, pois não queria criar inimizade com os índios. Mas, por fim, Staden conseguiu, numa outra oportunidade, um convés amigo que o levou de volta à Europa. Staden atribuiu a sua sobrevivência às rezas, o tempo inteiro, feitas com redobrado fervor. Os antropólogos, porém, conhecendo hoje melhor os rituais de antropofagia, lendo Staden, chegaram à outra conclusão. Não o mataram porque Staden pareceu um covarde, cuja carne era indigna de ser ingerida por um valente tupinambá. Deve-se a Staden que viveu 8 meses em meio aos índios, os relatos em primeira mão da vida dos indígenas, com quem partilhou hábitos e costumes. Staden, além de banir do seu relato qualquer menção à zoologia fantástica, pediu a um conhecido, Dryander, que assegurasse a veracidade do conteúdo do livro. Historicamente, Staden foi o primeiro a deixar em forma de livro uma obra que o tornou secularmente conhecido e se tornou das fontes utilizadas na etnografia sul-americana. 
 Hans Staden em uma cerimônia antropofágica


Referencias:

COSTA, Bianca Mandarino. Hans Staden. Pesquisa apresentada ao Curso de Graduação em Museologia. UNIRIO, 2006.

STANDEN, Hans. Duas Viagens ao Brasil. Editora Universidade de São Paulo, livraria Italiaia editora LTDA. 1974.

As aventuras de Hans Staden. Brasil. Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/hans_staden.htm> Acesso: 8 out.

PAULI, Evaldo. VIAGEM AO BRASIL, Hans Staden – Resumo” 1997. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Catarinense/Fontes/STADEN.htm> Acesso: 8 out.

Personagens. Hans Staden. Ubaweb. Disponível em: <http://www.ubaweb.com/ubatuba/personagens/index_per_masc.php?pers=hstaden> Acesso: 8 out.

Imagem. Hans Staden. Disponível em: < http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.nas.org/images/illustrations/staden_hans/staden_portrait.jpg&imgrefurl=http://www.nas.org/polArticles.cfm%3Fdoc_id%3D479&h=242&w=200&sz=19&tbnid=72d9117v23wWIM:&tbnh=110&tbnw=91&prev=/images%3Fq%3Dhans%2Bstaden&zoom=1&q=hans+staden&hl=pt-BR&usg=__8krJAt8bxoG8iRoMFpRr2CyaJeY=&sa=X&ei=LcxXTdPTFMe3tgf0x7DtDA&ved=0CDQQ9QEwAw> Acesso: 13 fev. 2011.


Imagem. Hans Staden em uma cerimônia antropofágica. Disponível em: < http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2007-10-01_2007-10-31.html> Acesso: 13 fev. 2011.

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