sábado, 23 de abril de 2016

Breve histórico sobre a fabricação de papel

Breve histórico sobre a fabricação de papel


Ilustração dos processos de produção de papel de trapo

A origem da invenção do papel remete à China, no século II d.C. Contudo, somente no século VII, os mouros trouxeram o processo para a Espanha sendo, então, introduzido no mundo ocidental. Com o desenvolvimento da imprensa em meados do século XV, novas técnicas de fabricação foram desenvolvidas tendo em vista dar conta da demanda cada vez maior.
A matéria-prima do papel é a celulose obtida de fibras vegetais. Durante muitos séculos, a forma mais usada para a fabricação do papel foi extração da celulose de trapos, linho ou algodão que são ricos dessa substância.
“Os papéis mais fortes e duráveis são obtidos a partir das fibras longas de linho, algodão ou cânhamo, muitas vezes derivadas de trapos”. (RICKMAN; BALL, 2005, p.103)
Os trapos eram então cozidos numa mistura de cal e água com o objetivo de remover gorduras, amido e também amolecer a celulose. Essa mistura de cal e água era uma solução alcalina que, por si só, já conferia uma reserva alcalina ao papel. Era então realizado um processo mecânico de choque para reduzir os trapos a uma pasta. Essa mistura era peneirada extraindo-se as fibras de celulose que ficavam presas na trama da peneira. Posteriormente, essa massa era prensada e posta para secar.
No século XVIII, objetivando aumentar a produção e reduzir os custos, novas técnicas foram desenvolvidas. Pavão enumera algumas dessas inovações como, por exemplo, a encolagem com colofónia-alumina que iniciou a confecção de papéis ácidos uma vez que a substância anteriormente utilizada era a gelatina. Entende-se como encolagem a ação de adicionar cola ao papel tendo em vista impermeabilizá-lo e torná-lo mais apropriado para a escrita. Pavão assinala que
“A colofónia-alumina, adicionada à água da solução no momento do fabrico, ajuda a fazer a dispersão das fibras na água, precipita a cola de resina sobre as fibras do papel e retém as cargas minerais adicionadas ao papel e torna o papel mais impermeável. Contudo, a sua presença é mais um contributo para a acidificação do papel”. (PAVÃO, 1997, p.141)
Outra modificação importante na fabricação do papel foi a utilização da polpa de madeira para obtenção da celulose. Tal pasta é confeccionada a partir da trituração e cozimento de cavacos de madeira e todas as suas substâncias presentes (lignina, por exemplo) são utilizadas na produção do papel. A mudança da utilização do papel obtido através de trapos pelo papel confeccionado a partir da pasta de madeira, em 1850, marca o início da crise do papel ácido. RICKMAN e BALL afirmam que “os papéis derivados da polpa de madeira são mais reativos [...] quanto maior a quantidade de madeira não-tratada, maior sua reatividade”. (RICKMAN; BALL, 2005, p.104)
Contudo, atualmente, existem métodos para remover as substâncias danosas presente na pasta de madeira levando a produção de papéis de qualidade muito variada (papéis sem qualquer tratamento, papéis tratados quimicamente entre outros).     


Referência

COSTA, Bianca Mandarino da. Conservação e preservação de fotografias albuminadas. Monografia apresentada à Escola de Museologia da UNIRIO. 81p. 2009
PAVÃO, Luís. Conservação de coleções de fotografia. Lisboa: Dinalivro, 1997.
RICKMAN, Catherine; BALL; Stephen. Conservação de obras de arte em papel: gravuras, desenhos e aquarelas. In: Conservação de coleções / Museums, Libreries and Archives Council; [tradução Maurício O. Santos e Patrícia Souza]. Museologia, Roteiros Práticos 9 – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. Fundação Vitae. 2005.

Imagem. Ilustração dos processos de produção de papel de trapo. Disponível em: < http://1.bp.blogspot.com/_bJ3yHEM7rpQ/Rn3tIES9WUI/AAAAAAAAA58/q5EmfFnwGX4/s1600-h/historia%20do%20papel-www.celuloseonline.com.br.gif> Acesso: 12 fev. 2011.



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