sábado, 23 de abril de 2016

MAST

             


O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) fundado em 1985 no antigo prédio do Observatório Nacional no estado do Rio de Janeiro. Tem a missão de "ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento científico e tecnológico por meio da pesquisa, preservação de acervos e divulgação da história da ciência e tecnologia no Brasil". (MAST, 2010)
O conjunto arquitetônico que compõe o entorno do museu constitui um importante testemunho preservado de um observatório astronômico do início do século XX.  Enquanto que seu acervo museológico é composto majoritariamente por instrumentos, objetos e documentos provenientes do Observatório Nacional. O museu possui uma base de dados online onde disponibiliza informações sobre seu acervo museológico, arquivístico e biblioteconômico.


Fachada do museu
Para informações sobre a visitação e programação do museu no mês de janeiro entre no site http://www.mast.br/funcionamentoMAST_ferias2010.htm

Referência

Site Museu de Astronomia e Ciências Afins. Disponível em: < http://www.mast.br/index2.htm> Acesso: 2 jan. 2011.

Imagem da fachada do museu. Disponível em: <http://www.mast.br/nav_h03.htm> Acesso: 2 jan. 2011.

Processos fotográficos do século XIX e problemas de deterioração

Processos fotográficos do século XIX e problemas de deterioração

“Diferentes tipos de processos fotográficos foram introduzidos, floresceram e desapareceram no curto período de 150 anos da história desta tecnologia de produção de imagens”. (MUSTARDO; KENNEDY, 2004, p. 17)
A fotografia, de certa forma, conquistou rapidamente o seu espaço na sociedade que entendia que “cabe a ela [fotografia] prolongar a aparência das coisas, difundir os conhecimentos e conservar a memória.” (CARTIER-BRESSON; 2004, p. 1) É bem verdade que a fotografia torna possível a observação de cenários, indumentárias e costumes de maneira muito mais precisa que qualquer fonte escrita.
“As excepcionais capacidades informativas e didáticas da fotografia abriram novas perspectivas documentais e iconográficas, desbravadas já pelos primeiros fotógrafos que percorriam o mundo, freqüentemente com o auxílio dos poderes públicos”. (CARTIER-BRESSON, 2004, p. 1)
O homem sempre tentou representar a realidade ao seu redor através de desenhos e pinturas. A câmara escura, desenvolvida na Itália renascentista, era um instrumento que auxiliava no desenho. Essa câmara formava uma imagem através da luz que entrava por um orifício e pessoas no mundo todo buscavam uma maneira de fixar essa imagem captada em uma superfície. Contudo, apenas no século XIX foram desenvolvidas diversas técnicas para gravar essa imagem.
Deve ser observado que, apesar da invenção da fotografia ser creditada a Daguerre, estudos recentes comprovam que, em 1833, o francês radicado no Brasil, Hercule Florence (também conhecido com Hércules Florence), desenvolveu um processo fotográfico rudimentar. No entanto, ele permaneceu no anonimato por não ter divulgado na época, de maneira correta, sua descoberta. (ANDRADE, 1997, p.10)
O primeiro processo fotográfico amplamente divulgado e utilizado foi o Daguerreótipo. O pintor e inventor Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851) revelou ao mundo sua invenção no dia 7 de janeiro de 1839. Em agosto do mesmo ano, o Estado francês comprou a patente de seu invento e tornou público os detalhes de fabricação e sua utilização. Todavia, o daguerreótipo não era um processo de baixo custo e nem de fácil reprodução, logo, cada peça era considerada única e preciosa. O próximo passo foi dado por William Herry Fox Talbot (1800-1877) ao descobrir o sistema positivo-negativo. Denominou-se calótipo ou talbótipo o conjunto do negativo em papel e da prova em papel salgado. O calótipo não obteve tanta popularidade, pois a imagem produzida apresentava acentuada granulação decorrente das fibras de papel do negativo que apareciam impressas no positivo não possibilitando, assim, a reprodução perfeita do pormenor. Em 1851, Frederich Scott Archer (1813-1857) substituiu o papel pelo vidro na confecção de negativos, pois era necessário um material que apresentasse uma transparência e polidez que possibilitasse a obtenção de uma imagem positiva sem granulação. Nesse momento também a substância ligante foi desenvolvida com o objetivo de fixar os sais de prata na superfície polida do vidro. Contudo, existiram também outros processos como o ambrótipo que consistia na produção de positivos diretos obtidos a partir de colódio úmido sobre um fundo preto. O ambrótipo surgiu como uma possibilidade menos custosa frente ao daguerreótipo. Logo depois, outro processo, o ferrótipo, usava como suporte uma chapa de ferro esmaltada, tendo o cólodio como ligante e a prata como substância formadora da imagem. Esse processo era efetuado por fotógrafos nas ruas, não sendo necessárias técnicas refinadas para sua obtenção.
Inúmeros processos foram confeccionados utilizando diferentes tipos de suportes, ligantes, substâncias formadoras da imagem e tratamentos químicos visando baratear o custo, obter uma imagem de qualidade e de fácil reprodução. Todavia, pouco depois do desenvolvimento desses processos fotográficos, percebeu-se que apresentavam sérios problemas relacionados à instabilidade, visto que se degradavam com o tempo e, às vezes, perdiam-se por completo. Reilly afirma que a
“literatura dos fotográficos do período 1860-1895 contém inúmeras menções e reclamações sobre o amarelecimento dos destaques em papel albúmen [albumina], embora pareça claro que nem perto de 85% das impressões tinha amarelado a um "grau moderado a grave" durante o período em papel albúmen ainda estava em uso geral”. (REILLY, 1980, p. 107)
Com o objetivo de tentar reverter esses problemas profissionais, quase sempre químicos empíricos, buscaram elaborar técnicas que conferissem mais estabilidade às fotografias. Instituições também buscaram desenvolver pesquisas que apontassem os mecanismos que davam início à deterioração.
“A partir de meados dos anos 1850, a Société Française de Photographie e a Royal Photographic Society de Londres encorajam esses trabalhos. Nos dez anos que se seguiram, os principais fatores de deterioração das imagens à base de sais de prata foram corretamente identificados e circunscritos”. (CARTIER-BRESSON , 2004, p.1)
Esses estudos constataram corretamente que a alta umidade causava o desbotamento e o amarelecimento das fotografias. Esse período foi de experimentação técnica em que também se consolidou a profissão do fotógrafo. Várias modificações químicas e métodos são desenvolvidos visando dissimular ou minimizar as imperfeições e prevenir a deterioração das espécies fotográficas. O dano potencial que afetava as fotografias acarretou uma busca permanente por processos mais duráveis, uma vez que era inegável a importância do registro fotográfico.    
  

Referência

COSTA, Bianca Mandarino da. Conservação e preservação de fotografias albuminadas. Monografia apresentada à Escola de Museologia da UNIRIO. 81p. 2009

MUSTARDO, Peter; KENNEDY, Nora. Preservação de fotografias: métodos básicos para salvaguardar coleções. In: Cadernos técnicos de conservação fotográfica 2. Rio de Janeiro: Funarte, 2004.

REILLY, James M. The Albumen & salted paper book. The history and practice of photographic printing 1840-1895. Light impressions. New York. 1980.


CARTIER-BRESSON, Anne. Uma nova disciplina: a conservação-restauração de fotografias. In: Cadernos técnicos de conservação fotográfica 3. Rio de Janeiro: Funarte, 2004, p. 

Mulheres no estudo da astronomia


Mulheres no estudo da astronomia

Tosi afirma que a Astronomia foi a ciência que mais despertou o interesse dos homens e mulheres burgueses e nobreza por conta das descobertas realizadas por Newton e o estabelecimento das leis dos movimentos planetários estabelecidos por Kepler.
Nesse momento a astronomia demandava não apenas conhecimento teórico, mas também prático como, por exemplo, polimento de lentes e fabricação de instrumentos, como também o desenvolvimento de cálculos. Esse se tornou o momento de participação das mulheres ocupando posições secundárias. (TOSI, 1998, p.384) Não diferindo do restante das ciências, os nomes das mulheres começam a aparecer na astronomia à sombra dos homens fosse, pai, irmão ou marido cientistas, a quem ajudavam em seus trabalhos, observações, nos cálculos e nas classificações ou no prosseguimento das pesquisas depois da morte dos mesmos.
No século XVIII, as astrônomas mais famosas foram Caroline Herchel (1750-1848) e Maria Winkelmann (1670-1720). Caroline trabalhou com o irmão, William, na fabricação de telescópios e observação das estrelas. O governo britânico concedeu uma pensão de £200 anuais a William por seu descobrimento de Urano. Anos depois foi a vez de Caroline ganhar uma pensão estatal de £50 pela descoberta de nove cometas. Tornou-se assim a primeira mulher a ser remunerada por seus trabalhos.
Já Maria Winkelman enfrentou muita oposição acadêmica. Winkelman aprendeu com o astrônomo Christoph Arnold e trabalhou em seu observatório como aprendiz realizando observações, cálculos e preparação de calendários. Posteriormente, casou-se com Gottfried Kirch também astrônomo e quando este ingressou na Academia de Berlim, Maria tornou-se sua assistente, mas sem um cargo oficial. Em 1702, Maria descobriu um cometa, contudo seu marido levou o crédito pela descoberta que, oito anos depois, reconheceu que a observação havia sido feita pela esposa. Nesse momento, após a morte do marido, não obteve o cargo de assistente que tinha em vista para continuar a confecção dos calendários. Maria continuou seus trabalhos em casa com seu filho, Chrisfried. Voltou a Academia em 1716 para ser sua assistente dele. Contudo, após sucessivas críticas, Maria, no ano seguinte, retirou-se definitivamente para fazer suas observações em casa.
Nicole-Reyne Etable de la Brière (1723-1788), conhecida como Madame Lepaute interessava-se por matemática e astronomia. Em 1757, foi incumbida por Joseph Jérôme de Lalande, também astrônomo de realizar os cálculos para determinar a data da reaparição do cometa Halley. Esse trabalho altamente complexo foi solicitado a Lalande pelo astrônomo e matemático Alexis-Claude Clairault. Posteriomente, Lalande afirmou que sem ela não poderia executar a árdua tarefa, nada obstante o mérito foi atribuído a Clairault. Como autora, efetivamente, figura em sua dissertação sobre o eclipse anular do sol de 1764.
No século XIX, nos Estados Unidos, muitas mulheres começaram a empreender trabalhos nas “áreas da astronomia de posição, à espectrografia, à fotometria em mais tarde à espectroscopia”. (MOURÃO, 2009, p.31) Maria Mitchell (1818-1889) foi admitida como professora de astronomia em 1876.
Um fato marcante no século XIX foi um trabalho desenvolvido no Observatório Astronômico de Harvard. O astrônomo Edward Pickering contratou uma composta apenas por mulheres para desenvolver um sistema de classificação das estrelas. Era composta pelas físicas: Anna Palmer, Williamina Fleming (1857-1911), Antonia Maury (1866-1952), Annie Cannon (1863-1941) e Enrietta Leavitt (1868-1921). Garcia afirma que o motivo pela contratação de mulheres foi o orçamento limitado (os salários das mulheres eram menores). O trabalho consistia em cálculos muito complexos e, por fim, o sistema revolucionou a astronomia sendo usado até os dias de hoje. Leavitt descobriu as estrelas variáveis, ela faleceu em 1921 e foi indicada para o Prêmio Nobel de Física em 1925. Posteriormente, Cannon desenvolveu um sistema de classificação de estrelas (sistematizando mais de 400 mil estrelas) que foi adotado como pela União Astronômica Internacional.
Na America Latina, atualmente, as mulheres ocupam cerca de 30% a 40% do total. No Brasil, a primeira astrônoma profissional foi Yeda Veiga Ferraz Pereira (1925-) que trabalhou no Observatório Nacional, em 1950. Nos anos 80, ela empenhou-se na disseminação de pesquisas e na criação de cursos de astronomia pelo Brasil. Na atualidade, Heloisa Boechat é Diretora do Observatório do Valongo, ligado à UFRJ e entrou para a história da ciência como a primeira mulher a comandar um observatório no Brasil.
“Hoje muitas mulheres se dedicam as carreiras científicas, mas foram necessários muitos anos de lutas nessa direção” (MOURÃO, 2009, p.32). Além disso, muitos autores acreditam que a participação das mulheres na construção da ciência é muito maior do que se sabe, tendo em vista, principalmente algumas das personalidades femininas já citadas. Para Garcia o
“esquecimento da mulher na ciência foi criado durante séculos e os historiadores, voluntariamente ou não, ocultaram a presença das mulheres nas atividades cientificas. Talvez por desconhecimento, talvez por receio ou mesmo pelo machismo impregnado na cultura humana”. (GRACIA, 2010)  
De fato, sabe-se hoje que muitas mulheres que trabalharam em parceria com seus familiares são pouco citadas (ou omitidas) em seus resultados finais e por conseqüência sendo esquecidas pela história da ciência. Logo, ainda existe um longo caminho para resgatar essa história da ciência feita pelas mulheres.
  

Referência

  
GARCIA, S. Eloi. A mulher e a ciência. Fiocruz. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=582&sid=4> Acesso: 23 abr. 2010

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. As mulheres na astronomia. In: Urânia – Publicação da Associação de Amigos do Museu de Astronomia. Ano 2, nº3. p. 28-32. abril 2009.

TOSI, Lúcia. Mulher e ciência - A Revolução científica, a caça às bruxas e a ciência moderna. In: Cadernos Pagu. (10) pp.369-397. 1998. Disponível em: <http://www.pagu.unicamp.br/files/cadpagu/Cad10/pagu10.14.pdf> Acesso: 23 abr. 2010.
Imagem. Computadores de Harvard. Disponível: <http://cafecomciencia.wordpress.com/2009/10/> Acesso: 28 jan. 2011.


Mulheres na Ciência



Mulheres na Ciência

O campo de estudo que se ocupa a investigar os fenômenos científico-tecnológicos e sua relação com o contexto social é comumente chamado de estudos sociais da ciência. E parte do princípio que “os fatores econômicos, políticos e culturais têm influência sobre as mudanças científico-tecnológicas; e as mudanças científico-tecnológicas têm conseqüências para a sociedade e seu meio ambiente.” (SANTOS, 2006) A noção da construção do saber científico como objetivo, universal e neutro deu lugar a interpretação de que a ciência que é produzida em um dado local em uma determinada época é fruto de um contexto social e histórico específico. Com essa nova abordagem de estudo com relação a ciências e seus valores como a relação entre ciência e gênero (participação das mulheres nas atividades científicas). (SILVA, 1998, p.11)    
Durante muitos anos as mulheres permaneceram confinadas ao “saber doméstico que consistia na leitura e na escrita, algumas noções de cálculos necessárias ao bom funcionamento da economia familiar”. (TOSI, 1998, p.379)
Apesar desse quadro desfavorável, muitas mulheres tiveram participação nas atividades científicas ou técnicas. 
“essas mulheres, pertencentes às classes nobres ou burguesas, [que] tiveram a chance de receber uma boa educação, o que permitia transpor barreiras e interdições. No entanto, ficaram relegadas à condição marginal de assistentes ou, no melhor dos casos, de colaboradoras de cientistas conhecidos, ficando freqüentemente ignoradas para a posteridade”. (TOSI, 1998, p.380)     
Porém, existem casos em que as mulheres conseguiram transpassar as barreiras e ganharam reconhecimento internacional. Um exemplo muito conhecido é Marie Curie (1867-1934) que em conjunto com o marido Pierre Curie realizou pesquisas no campo da física e da química, ganhando com o marido o Prêmio Nobel de física pela descoberta do campo de radioatividade. Posteriormente, Marie ganhou um Prêmio Nobel de química, dessa vez sozinha, por sua descoberta dos elementos químicos rádio e polônio. Marie também chegou a ser chefe do Laboratório de Física da Sorbonne tendo inegavelmente sua capacidade profissional reconhecida e valorizada. 

Referência


SANTOS, Lucy Woellner dos; ICHIKAWA, Elisa Yoshie. Para iniciar o debate sobre o feminino na relação ciência e sociedade. p. 3-23. IAPAR. Londrina. 2006.

SILVA, Elisabeth Bortolaia. Des-construindo gênero em ciência e tecnologia. Caderno Pagu. (10). P.7-20. 1998. Campinas, São Paulo.

TOSI, Lúcia. Mulher e ciência - A Revolução científica, a caça às bruxas e a ciência moderna. In: Cadernos Pagu. (10) pp.369-397. 1998. Disponível em: <http://www.pagu.unicamp.br/files/cadpagu/Cad10/pagu10.14.pdf> Acesso: 23 abr. 2010.

Imagem. Marie Curie. Disponível em: <http://www.toptenz.net/top-10-most-influential-women.php> Acesso: 27 jan. 2011.


Kazimir Malevich

O russo Kazimir Malevich (1878-1935) é o idealizador do movimento Suprematista que trilhou o caminho de desconstrução do modelo figurativo. Para isso ele utilizou a única forma que não nasceu na natureza: o quadrado e também fez uso das formas geométricas uma vez que a matemática que é ciência abstrata, intelectualizada criada pelo Homem.


Kazimir Malevich. 
Two-dimensional self-portrait
Como pode ser observado em sua pintura, Malevich emprega reducionismo de formas e cores, ou seja, usa formas inteiramente monocromáticas. Ele também cria um dinamismo com essas formas geométricas conferindo a idéia de movimento. Malevich alcança sobre a planaridade da tela na medida em que as formas geométricas não são perfeitamente dispostas, soltas no espaço e nem tem um formato perfeito.

Kazimir Malevich
Quadro preto sobre fundo branco
Malevich inova ao fazer a exposição “0,10” em 1915 onde colocou quadros de maneira muito próxima, aparentemente desconexa. Foi nessa ocasião em que foi divulgado o quadro “O quadrado negro sobre fundo branco” colocado em uma quina no canto superior de uma sala lugar esse onde a Igreja Ortodoxa Russa, tradicionalmente, destina aos ícones religiosos.

Referência

Kazimir Malevich. Suprematism. Two-dimensional self-portrait. 1915. Oil on canvas. 80 x 62 cm. Stedelijk Museum, Amsterdam, Netherlands.
Disponível em: <http://www.abcgallery.com/M/malevich/malevich96.html> Acesso: 12 jan. 2011.


Kazimir Malevich. Quadro preto sobre fundo branco. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Malevich.black-square.jpg> Acesso: 12 jan. 2011.

Hans Staden


O alemão Hans Staden viajou duas vezes ao Brasil (1547 e 1550) e relatou em livro tudo que se passou durante seu período. Seu livro teve grande repercussão por conta de suas ilustrações, descrições de rituais antropofágicos, animais, plantas e costumes exóticos. Para os estudiosos, a obra contém informações de interesse antropológico, sociológico, linguístico e cultural sobre a vida, os costumes e as crenças dos indígenas do litoral brasileiro na primeira metade do século XVI.
Em sua primeira viagem ao Brasil esteve no estado de Pernambuco, enquanto que na segunda embarcou na expedição espanhola de Diego Sanabia, novo Governador do Paraguai. Contudo, seu navio naufragou nas costas do litoral fluminense. Por saber lidar com canhões, os portugueses destinaram Staden a artilheiro do Forte de Bertioga e foi defendendo esse forte que os tupinambás (inimigos dos lusos) o capturaram.
Staden foi capturado por um aborígine chamado Nhaepepô-açu ("Panela Grande") e, em seguida, foi dado de presente a outro chamado Ipirú-guaçu ("Tubarão grande"). Uma vez, carregaram-no até a aldeia de Tiquaripe, perto de Angra dos Reis, para ver um dos seus inimigos ter a cabeça esmagada por um ibirapema (tacape de execuções). Logo em seguida, assistiu o corpo ser devorado pela tribo inteira, embriagada previamente com licor de raízes de abatí.
Um trecho do documento de Staden quando este chegou pela primeira vez na aldeia de Ubatuba, prisioneiro dos índios:
“[...]vimos uma pequena aldeia de sete choças... Chamavam-na Ubatuba. Dirigimo-nos para uma praia aberta ao mar. Bem perto trabalhavam as mulheres numa cultura de plantas de raízes, que eles chamavam mandioca. Estavam ai muitas delas, que arrancavam raízes e tive que lhes gritar, em sua língua "Aju ne xé peê remiurama", isto é: "Estou chegando eu, vossa comida."... Deixaram-me com as mulheres. Algumas foram à minha frente, outras atrás, dançando e cantando uma canção que, segundo seu costume entoavam aos prisioneiros que tencionavam devorar. [...] No interior da caiçara arrojaram-se as mulheres todas sobre mim, dando socos, arrepelando-me a barba, e diziam em sua linguagem: "Xé anama poepika aé!" – “Com esta pancada vingo-me pelo homem que teus amigos nos mataram".
Staden fez de tudo para convencer seus raptores de que ele não era um peros (um português), mas sim um mair (francês), portanto um aliado deles. Conseguiu pelo menos deixá-los na dúvida. E por fim, os tupinambás o transformaram em um animal doméstico que “Tubarão Grande” conduzia amarrado como um cão para todos os lados.
Staden chegou a abordar um barco ancorado bem próximo à praia para pedir asilo. O comandante se recusou, pois não queria criar inimizade com os índios. Mas, por fim, Staden conseguiu, numa outra oportunidade, um convés amigo que o levou de volta à Europa. Staden atribuiu a sua sobrevivência às rezas, o tempo inteiro, feitas com redobrado fervor. Os antropólogos, porém, conhecendo hoje melhor os rituais de antropofagia, lendo Staden, chegaram à outra conclusão. Não o mataram porque Staden pareceu um covarde, cuja carne era indigna de ser ingerida por um valente tupinambá. Deve-se a Staden que viveu 8 meses em meio aos índios, os relatos em primeira mão da vida dos indígenas, com quem partilhou hábitos e costumes. Staden, além de banir do seu relato qualquer menção à zoologia fantástica, pediu a um conhecido, Dryander, que assegurasse a veracidade do conteúdo do livro. Historicamente, Staden foi o primeiro a deixar em forma de livro uma obra que o tornou secularmente conhecido e se tornou das fontes utilizadas na etnografia sul-americana. 
 Hans Staden em uma cerimônia antropofágica


Referencias:

COSTA, Bianca Mandarino. Hans Staden. Pesquisa apresentada ao Curso de Graduação em Museologia. UNIRIO, 2006.

STANDEN, Hans. Duas Viagens ao Brasil. Editora Universidade de São Paulo, livraria Italiaia editora LTDA. 1974.

As aventuras de Hans Staden. Brasil. Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/hans_staden.htm> Acesso: 8 out.

PAULI, Evaldo. VIAGEM AO BRASIL, Hans Staden – Resumo” 1997. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Catarinense/Fontes/STADEN.htm> Acesso: 8 out.

Personagens. Hans Staden. Ubaweb. Disponível em: <http://www.ubaweb.com/ubatuba/personagens/index_per_masc.php?pers=hstaden> Acesso: 8 out.

Imagem. Hans Staden. Disponível em: < http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.nas.org/images/illustrations/staden_hans/staden_portrait.jpg&imgrefurl=http://www.nas.org/polArticles.cfm%3Fdoc_id%3D479&h=242&w=200&sz=19&tbnid=72d9117v23wWIM:&tbnh=110&tbnw=91&prev=/images%3Fq%3Dhans%2Bstaden&zoom=1&q=hans+staden&hl=pt-BR&usg=__8krJAt8bxoG8iRoMFpRr2CyaJeY=&sa=X&ei=LcxXTdPTFMe3tgf0x7DtDA&ved=0CDQQ9QEwAw> Acesso: 13 fev. 2011.


Imagem. Hans Staden em uma cerimônia antropofágica. Disponível em: < http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2007-10-01_2007-10-31.html> Acesso: 13 fev. 2011.

Fotografias albuminadas

Fotografias albuminadas

O termo fotografia é usado, na atualidade, genericamente para designar objetos de natureza bastante diversa e que tem em comum a ação da luz na formação da imagem. A expressão espécie fotográfica é utilizada por Pavão para assinalar, de maneira geral, objetos que contenham imagens fotográficas.    
“[...] uma fotografia será uma composição de materiais, em geral com uma configuração laminada ou em camadas, com todas as resultantes químicas e os riscos físicos que isto possa acarretar”. (MUSTARDO; KENNEDY, 2004, p. 19)
A fotografia ou espécie fotográfica consiste da integração de várias camadas que, de maneira geral, podem ser divididas em suporte, substância formadora da imagem e meio ligante. O suporte tem o objetivo de servir como estrutura para a imagem. Diversos materiais foram utilizados para este fim, como por exemplo, vidro, metal, plástico, sendo o papel o mais comum. A substância formadora da imagem é o material que confere os tons de claro e escuro e, posteriormente, com o desenvolvimento da fotografia colorida, dá cor à imagem. Temos como exemplo de substância formadora da imagem os sais de prata, platina, corantes e pigmentos sintéticos ou orgânicos. Enquanto que o meio ligante (também conhecido como aglutinante) é a substância que mantém unido a substância formadora da imagem e o suporte. A substância formadora da imagem e o meio ligante constituem um conjunto denominado emulsão. Como ligante já foi utilizada a albumina (clara de ovo salgada), colódio e a gelatina (proteína retirada de ossos e couro de animais). A estabilidade do ligante é de suma importância para garantir que uma imagem mantenha-se em boas condições por mais tempo.
Uma prova consiste na obtenção de um positivo através de um negativo. É definido como prova a
“imagem positiva sobre um suporte opaco, geralmente em papel ou eventualmente em plástico, que foi impressa a partir de uma matriz de impressão (um negativo [...]). A matriz permite a reprodução de muitos exemplares da mesma imagem”. (PAVÃO, 1997, p.73)
         As provas podem ser denominadas de acordo com seu processo de confecção. Há dois tipos de processamento: o fotográfico e o fotomecânico. Na prova fotográfica a imagem é gerada com o uso de um negativo sobreposto a um papel sensibilizado e que é, em seguida, exposto à luz. Já nas provas fotomecânicas a imagem é formada através de tinta depositada no papel sobre uma matriz de impressão, não possuindo nenhuma etapa de exposição à luz. (PAVÃO, 1997, p.74)


Coleção Tereza Cristina Maria. Fundação Biblioteca Nacional. Líbano.
Bonfills e Dumas.

As provas de albumina, no contexto em que foram desenvolvidas, possibilitavam maior contraste e evidenciavam imagens mais detalhadas do que no papel salgado (processo fotográfico anterior). A albumina ocupava o papel de maneira a fechar seus poros e formar, sobre ele, uma camada separada onde a imagem de prata se formava sendo possível se ter maior densidade e contraste.
Em decorrência da grande procura pelo público, foi desenvolvido em 1854, o papel albuminado produzido de maneira industrial tornando o processo mais prático para o fotógrafo. As fábricas de papel albuminado espalhavam-se por toda a Europa e nos Estados Unidos, sendo que as mais famosas concentravam-se em Dresden, na Alemanha. Reilly ilustra bem a escala de produção dessas fábricas
uma empresa [...] chamada Dresdener Albuminfabriken AG, em 1888 produziu 18.674 resmas de papel albúmen. Cada resma consistiu de 480 folhas 46 x 58 cm de tamanho. Para revestir uma resma de papel necessários 9 litros de solução de albumina, obtidos a partir de 27 dúzias de ovos. Assim, a produção total de um ano em que esta fábrica uma consumidos mais de seis milhões de ovos”. (REILLY, 1980, p.33-34)
Em 1855, o processo de papel de albumina já era a técnica mais usada para a impressão de negativos em processo de colódio úmido uma vez que tornava mais fácil a obtenção de imagens duplicadas. A união do negativo de colódio úmido e o papel de albumina foi o processo mais comum no mundo até 1880, diminuindo gradativamente até 1895. Porém, o papel albuminado só parou de ser fabricado definitivamente em 1930.
Apesar da grande popularidade, o papel albuminado já foi precocemente identificado como instável. O príncipe Alberto da Inglaterra formou o Fading Comitee, em 1855, com o objetivo de identificar os problemas que causavam a deterioração das provas albuminadas. Os motivos identificados foram: poluição, umidade, fixação e lavagem de má qualidade. Tais conclusões, no entanto, não evitavam que as fotografias continuassem a se deteriorar. As provas de albumina que chegaram à atualidade são, em sua maioria, completamente amarelecidas e seus detalhes e contrastes foram irremediavelmente perdidos. 
Coleção Tereza Cristina Maria. Fundação Biblioteca Nacional. Documents Historiques.
Evenements de Paris, du 22 au 29 mai, 1871.

As provas albuminadas existentes hoje, em sua maioria, apresentam-se em avançado estado de degradação. Cartier-Bresson afirma que há pessoas que apreciam tais alterações, considerando-as como uma marca do tempo e até portadora de uma beleza plástica. No entanto, a deterioração pode acarretar a perda total das imagens e, conseqüentemente, de sua informação. Tendo em vista retardar tal processo é necessário que medidas sejam tomadas, medidas essas quase sempre são de natureza interdisciplinar, pois demandam conhecimentos específicos em diversas áreas.    
                     
Referência

COSTA, Bianca Mandarino da. Conservação e preservação de fotografias albuminadas. Monografia apresentada à Escola de Museologia da UNIRIO. 81p. 2009
             
MUSTARDO, Peter; KENNEDY, Nora. Preservação de fotografias: métodos básicos para salvaguardar coleções. In: Cadernos técnicos de conservação fotográfica 2. Rio de Janeiro: Funarte, 2004, p.19.

PAVÃO, Luís. Conservação de coleções de fotografia. Lisboa: Dinalivro, 1997, p. 74.

REILLY, James M. The Albumen & salted paper book. The history and practice of photographic printing 1840-1895. Light impressions. New York. 1980 p. 33-34.
                                              
CARTIER-BRESSON, Anne. Uma nova disciplina: a conservação-restauração de fotografias. In: Cadernos técnicos de conservação fotográfica 3. Rio de Janeiro: Funarte, 2004, p. 1-5.

Imagem 1. Coleção Tereza Cristina Maria. Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em: < http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/th_christina/icon393087/galery/index.htm> Acesso: 4 jan. 2011.



Imagem 2. Coleção Tereza Cristina Maria. Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/th_christina/icon393095/galery/index.htm> Acesso: 4 jan. 2011.

Exposição “Olhar o Céu, Medir a Terra”

Exposição “Olhar o Céu, Medir a Terra”

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) apresenta a exposição permanente “Olhar o Céu, Medir a Terra” que busca contar “o desafio constante, enfrentado de diferentes maneiras e em diferentes épocas. A partir dos instrumentos de medição do tempo e do espaço, [...] explora a relação entre ciência e a configuração territorial do Brasil”. (Catálogo da exposição).

 A exposição utiliza a coleção de objetos e instrumentos científicos do MAST, objetos esses que contribuíram para o desenvolvimento do conhecimento em vários campos da ciência.

O catálogo da exposição encontra-se disponível no site da instituição. Disponível em: http://www.mast.br/pdf/catalogo_olhar_o_ceu_medir_a_terra.pdf

 

Local: Museu de Astronomia e Ciências Afins, prédio sede – Rio de Janeiro


Para mais informações: http://www.mast.br/exposicoes.html

Comissão Cruls

Comissão Cruls

A idéia de transferência da Capital Federal para o interior do território brasileiro não era nova
desde 1818, pelo menos quando a família real portuguesa veio buscar abrigo no Brasil, havia sido notada a vulnerabilidade do Rio de Janeiro no caso de guerras navais, e aventada a possibilidade de transferir a capital para o interior. (MAST, 2004, p. 35)
Somando-se à razão acima apontada, havia ainda a percepção de que a cidade do Rio de Janeiro era insalubre, e, principalmente, de que era importante povoar o interior do território brasileiro. A mudança da capital já era prevista na Constituição Federal de 1891, artigo 3º, que dizia: “Fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital federal”. (BARROS, 1891) Contudo, a instabilidade política dos anos iniciais da República viria a acelerar a iniciativa de demarcar a área da nova capital.  
Rapidamente o Congresso Nacional conseguiu aprovar junto à Lei Orçamentária a quantia necessária para financiar uma equipe capaz de demarcar a área da nova Capital. Logo em seguida, o Ministro da Agricultura Antão Gonçalves de Faria, por meio da portaria 119-A de 17 de maio de 1892, criou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, estabelecendo Luis Cruls (1948-1908) como seu chefe. Nessa época, Cruls também era professor da Escola Militar e diretor do Observatório Nacional. Na mesma portaria o Ministro ainda especificou as atividades que deveriam ser realizadas pela Comissão:
[...] deveis proceder aos estudos indispensáveis ao conhecimento exato da posição astronômica da área a demarcar, da orografia, hidrografia, condições climáticas e higiênicas, natureza do terreno, quantidade e qualidade das águas, que devem ser utilizadas para o abastecimento, materiais de construção, riqueza florestal, etc... da região explorada e tudo mais que diretamente se ligue ao assunto que constitui o objeto da vossa missão. No decurso de tais trabalhos e tanto quanto possível, podereis realizar não só os estudos que julgardes de vantagem e utilidade para mais completo desempenho do vosso encargo, mais ainda de valor científico com relação a essa parte ainda pouco explorada do Brasil (CRULS, 1893, p.4.)
Rapidamente foram empreendidas ações que visavam dar início a essa grande empreitada, e assim a Comissão pode iniciar seus trabalhos in situ, realizando os estudos requeridos e concluindo, posteriormente, os cálculos e mapas. Em julho de 1893 foi publicado no Diário Oficial um resumo que viria a ser o Relatório Parcial da Comissão e no ano seguinte, deu-se a publicação do texto completo, denominado Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil. Nesse último, foi descrito detalhadamente todo o trabalho realizado pela Comissão, incluindo diversos relatórios de integrantes do grupo, tabelas e fotografias.
Deve ser ressaltado que houve uma segunda Comissão denominada “Comissão de Estudos da Nova Capital da União (1894-1895)” que foi composta por muitos integrantes da primeira. O objetivo dessa última comissão consistia em determinar o melhor lugar para fixar a Nova Capital dentro da área anteriormente demarcada.
Tanto o Relatório Parcial quanto o Relatório de 1894 listam os militares que participaram da Comissão sem mencionar suas patentes, mas deve ser notado que Cruls escolheu todos os membros “entre os servidores do Observatório Astronômico e os engenheiros militares, em geral, seus ex-alunos na Escola Superior de Guerra”. (MOURÃO, 2003, p.31) Assim, além de Cruls, a Comissão era formada pelos seguintes funcionários do Observatório Astronômico: Henrique Charles Morize e Julião de Oliveira Lacaille (1851-1925), classificados como astrônomos; Eduardo Chartier como mecânico, e Francisco Souto, como ajudante-mecânico. Entre os membros ex-alunos de Cruls na Escola Militar estavam os Tenentes Augusto Tasso Fragoso (1869-1945), realizando trabalhos de ajudante e secretário; Hastimphilo de Moura, Alípio Gama (1863-1935), o 1º Tenente Antonio Cavalcanti de Albuquerque e o Capitão Celestino Alves Bastos como ajudantes. Pedro Carolino Pinto de Almeida é citado no Relatório como comandante do contingente militar, e Joaquim Rodrigues de Siqueira Jardim e Henrique Silva como sendo seus alferes. Também constava o nome do Major Pedro Gouvêa, que era médico, e do Capitão Alfredo José Abrantes, farmacêutico. A Comissão incluía também Antonio Martins de Azevedo Pimentel, denominado higienista; Eugenio Hussak, geólogo; Ernesto Ule, botânico; Felicissimo do Espírito Santo, Antonio Jacintho de Araujo Costa, José Paulo de Mello e João de Azevedo Peres Cuyabá, auxiliares.
Pessoal da Comissão (CRULS, 1894a, p.8) 

A Comissão Exploradora do Planalto Central viajou com um pesado carregamento, que abrangia barracas, mantimentos, armamentos, instrumentos científicos (como teodolitos, círculos meridianos, sextantes, micrômetros, lunetas, heliotrópios, níveis, cronômetros, relógios, barômetros de Fortin, bússolas, aneróides, e podômetros). Além disso, o Relatório de 1894 salienta a presença nesse carregamento de câmeras fotográficas, material para revelação e ferramentas de uma pequena oficina dedicada ao conserto de instrumentos que pudessem ser danificados no trajeto. Esse mesmo documento apresenta um cálculo aproximado do peso de todo esse equipamento, em torno de 10 toneladas.
Foram realizadas também observações sobre o clima, a água e os materiais disponíveis para construção. Sobre o clima, apesar das medições terem sido diárias, o tempo de observação foi insuficiente para determinar com exatidão a temperatura anual da região delimitada. Quanto ao sistema hidrográfico foi realizado um mapeamento e medição do volume de água dos rios e seus principais afluentes, evidenciando que se tratava de uma área muito rica sob esse aspecto. O Relatório ressalta que os responsáveis por essas medições foram Henrique Morize, Alípio Gama e Antonio Cavalcanti. Já com relação aos materiais de construção foi observado que a região não possuía muitas florestas, enquanto que as pedras que poderiam ser usadas para construção como, por exemplo, o calcário e a argila, foram identificadas em abundância.

Referência

COSTA, Bianca Mandarino. Fotografias da Comissão Cruls: uma análise da imagem. Monografia de Especialização apresentada à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia. Museu de Astronomia e Ciências Afins. 2010. 101 p.

MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS. Luiz Cruls, um cientista a serviço do Brasil. Rio de Janeiro: Mast/MCT. 2004.
BARROS, Prudente José de Moraes. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil (de 24 de fevereiro de 1891). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm> Acesso: 22 out. 2010.
CRULS, Luis. Relatório Parcial apresentado ao Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas. Rio de Janeiro. Lombaerts & Comp. 1893. Disponível em: <http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/182932/1/000178147.pdf> Acesso: 12 out. 2010.

CRULS, Luis. Relatório apresentado ao Ministro da Indústria, Viação e obras públicas [da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil]. Rio de Janeiro: H. Lombarts & Co., 1894a. Biblioteca Digital do Senado Federal. Disponível em: <http://www2.senado.gov.br/bdsf/item/id/182911> Acesso: 11 out. 2010.



Breve histórico sobre a fabricação de papel

Breve histórico sobre a fabricação de papel


Ilustração dos processos de produção de papel de trapo

A origem da invenção do papel remete à China, no século II d.C. Contudo, somente no século VII, os mouros trouxeram o processo para a Espanha sendo, então, introduzido no mundo ocidental. Com o desenvolvimento da imprensa em meados do século XV, novas técnicas de fabricação foram desenvolvidas tendo em vista dar conta da demanda cada vez maior.
A matéria-prima do papel é a celulose obtida de fibras vegetais. Durante muitos séculos, a forma mais usada para a fabricação do papel foi extração da celulose de trapos, linho ou algodão que são ricos dessa substância.
“Os papéis mais fortes e duráveis são obtidos a partir das fibras longas de linho, algodão ou cânhamo, muitas vezes derivadas de trapos”. (RICKMAN; BALL, 2005, p.103)
Os trapos eram então cozidos numa mistura de cal e água com o objetivo de remover gorduras, amido e também amolecer a celulose. Essa mistura de cal e água era uma solução alcalina que, por si só, já conferia uma reserva alcalina ao papel. Era então realizado um processo mecânico de choque para reduzir os trapos a uma pasta. Essa mistura era peneirada extraindo-se as fibras de celulose que ficavam presas na trama da peneira. Posteriormente, essa massa era prensada e posta para secar.
No século XVIII, objetivando aumentar a produção e reduzir os custos, novas técnicas foram desenvolvidas. Pavão enumera algumas dessas inovações como, por exemplo, a encolagem com colofónia-alumina que iniciou a confecção de papéis ácidos uma vez que a substância anteriormente utilizada era a gelatina. Entende-se como encolagem a ação de adicionar cola ao papel tendo em vista impermeabilizá-lo e torná-lo mais apropriado para a escrita. Pavão assinala que
“A colofónia-alumina, adicionada à água da solução no momento do fabrico, ajuda a fazer a dispersão das fibras na água, precipita a cola de resina sobre as fibras do papel e retém as cargas minerais adicionadas ao papel e torna o papel mais impermeável. Contudo, a sua presença é mais um contributo para a acidificação do papel”. (PAVÃO, 1997, p.141)
Outra modificação importante na fabricação do papel foi a utilização da polpa de madeira para obtenção da celulose. Tal pasta é confeccionada a partir da trituração e cozimento de cavacos de madeira e todas as suas substâncias presentes (lignina, por exemplo) são utilizadas na produção do papel. A mudança da utilização do papel obtido através de trapos pelo papel confeccionado a partir da pasta de madeira, em 1850, marca o início da crise do papel ácido. RICKMAN e BALL afirmam que “os papéis derivados da polpa de madeira são mais reativos [...] quanto maior a quantidade de madeira não-tratada, maior sua reatividade”. (RICKMAN; BALL, 2005, p.104)
Contudo, atualmente, existem métodos para remover as substâncias danosas presente na pasta de madeira levando a produção de papéis de qualidade muito variada (papéis sem qualquer tratamento, papéis tratados quimicamente entre outros).     


Referência

COSTA, Bianca Mandarino da. Conservação e preservação de fotografias albuminadas. Monografia apresentada à Escola de Museologia da UNIRIO. 81p. 2009
PAVÃO, Luís. Conservação de coleções de fotografia. Lisboa: Dinalivro, 1997.
RICKMAN, Catherine; BALL; Stephen. Conservação de obras de arte em papel: gravuras, desenhos e aquarelas. In: Conservação de coleções / Museums, Libreries and Archives Council; [tradução Maurício O. Santos e Patrícia Souza]. Museologia, Roteiros Práticos 9 – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. Fundação Vitae. 2005.

Imagem. Ilustração dos processos de produção de papel de trapo. Disponível em: < http://1.bp.blogspot.com/_bJ3yHEM7rpQ/Rn3tIES9WUI/AAAAAAAAA58/q5EmfFnwGX4/s1600-h/historia%20do%20papel-www.celuloseonline.com.br.gif> Acesso: 12 fev. 2011.



Biblioteca Digital Mundial




Biblioteca Digital Mundial

A Biblioteca Digital Mundial disponibiliza, em alta resolução, documentos e fotografias digitalizados de diversas bibliotecas, arquivos, universidades e museus do mundo.
Todas as informações referentes aos acervos estão disponíveis em 7 idiomas diferentes permitindo maior acesso a informação. Esse esforço constitui uma importante iniciativa de dar acesso às fontes de pesquisa e merece ser (re)conhecido.


Disponível em: http://www.wdl.org/pt/

A fotografia como fonte histórica



A fotografia como fonte histórica

Deve ficar claro que o homem sempre tentou representar a realidade ao seu redor através de desenhos e pinturas. A câmara escura, desenvolvida na Itália renascentista, era um instrumento que auxiliava no desenho. Esse aparelho formava uma imagem que, através da luz, entrava por um orifício onde havia uma lente que projetava uma imagem invertida e nítida do objeto. Por muitos anos pessoas no mundo todo buscaram uma maneira de fixar essa imagem captada em uma superfície. Entretanto, apenas no século XIX foram desenvolvidas diversas técnicas para gravar/registrar essa imagem.
Logo, desde a invenção, por Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851) do primeiro processo fotográfico denominado daguerreótipo, em de janeiro de 1839, a fotografia despertou o interesse de diversas áreas da ciência, visto que tornou possível a gravação, com o uso da luz, de um fragmento do “real”, colocando de lado assim as imprecisões a que poderiam estar sujeitas a observação humana ou desenhos e gravuras feitas por artistas.
Contudo, com relação à análise da fotografia, de maneira geral, é necessário ter em vista que “toda a fotografia tem sua origem a partir do desejo de um indivíduo que se viu motivado a congelar em imagem um aspecto dado do real, em determinado lugar e época”. (KOSSOY, 2009a, p. 36)
As fotografias guardam, na sua superfície sensível, a marca indefectível do passado que as produziu e consumiu. Um dia já foram memória presente, próxima àqueles que as possuíam, as guardavam e colecionavam como relíquias, lembranças ou testemunhos. No processo de constante vir a ser recuperam o seu caráter de presença, num novo lugar, num outro contexto e com uma função diferente. (MAUAD, 1996, p. 10)  
Provavelmente por essa mesma razão, apesar da ampliação do conceito de documento ser relativamente antiga na historiografia, remontando à Escola de Annales, a fotografia ainda enfrente dificuldades para ser usada pelos pesquisadores como fonte histórica. Segundo Boris Kossoy,
o problema reside justamente na sua [dos pesquisadores] resistência em aceitar, analisar e interpretar a informação quando esta não é transmitida segundo um sistema codificado de signos em conformidade com os cânones tradicionais da comunicação escrita. (KOSSOY, 2009a, p. 30)   
Além disso, diversos autores salientam que a fotografia ainda é comumente utilizada apenas como “ilustração ao texto”, como é possível ser notado no seguinte trecho de obra de Maria Teresa Bandeira de Mello e Fernando Pires-Alves a propósito das fotografias realizadas pelas expedições sanitaristas do Instituto Oswaldo Cruz:
durante muito tempo os historiadores, de maneira geral, ignoraram as fontes iconográficas enquanto tais. Restritos aos documentos escritos, só recorriam a elas sob a forma de ilustrações, muitas vezes tomadas como autoevidentes e autoexplicativas, desprezando, por conseguinte, aquilo que tinham de mais significativo: suas relações com os momentos históricos nos quais vieram à luz. (MELLO; PIRES-ALVES, 2009, p. 139-179)
Recentemente essa visão tradicional vem sendo substituída pela noção da fotografia como “fonte histórica de abrangência multidisciplinar” (KOSSOY, 2009b, p. 21), à medida em que são desenvolvidas ações que visam “sistematizar suas informações, estabelecer metodologias adequadas de pesquisa e análise para a decifração de seus conteúdos e, por conseqüência, da realidade que as originou”. (KOSSOY, 2009a, p. 32)
Kossoy esclarece que há três elementos constitutivos imprescindíveis para execução de uma fotografia: o assunto, o fotógrafo e a tecnologia. Deve-se notar, ainda, que esses elementos fazem parte de um processo ocorrido em determinadas coordenadas de tempo e espaço, o qual deu origem a um produto final que é a fotografia. É possível então dizer que o assunto é o tema (fração do “real”), o fotógrafo é o autor, enquanto que a tecnologia é o meio (o maquinário, o produto fotossensível, e as técnicas empregadas para a fixação do registro por meio da ação luminosa), os três elementos juntos dando origem à fotografia (registro de um fragmento do “real”). Logo, é possível afirmar que toda a fotografia é resultado da ação humana (fotógrafo) que, em um dado tempo e espaço, escolheu um assunto e, para registrá-lo, usou os recursos disponíveis da tecnologia. (KOSSOY, 2009a, p. 37.) Kossoy esclarece também que o fotógrafo atua como “filtro cultural” uma vez que é ele quem seleciona a fração do real a ser registrada, organiza os detalhes visuais componentes do assunto, e utiliza os meios tecnológicos, ações essas que irão influenciar no resultado fotográfico final.
Partindo do princípio que “toda a fotografia tem por trás de si uma história” (KOSSOY, 2009a, p. 45) e que “toda fotografia foi produzida com uma certa finalidade” (KOSSOY, 2009a, p. 47) foi realizado o levantamento referencial das fotografias realizadas pelos membros da Comissão Exploradora do Planalto Central, e principalmente pelo cientista Henrique Morize. Posteriormente foi realizada uma análise de cada fotografia individualmente, visto que “a imagem não fala por si só; é necessário que as perguntas sejam feitas.” (MAUAD, 1996, p. 10)

Referência

COSTA, Bianca Mandarino. Fotografias da Comissão Cruls: uma análise da imagem. Monografia de Especialização apresentada à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia. Museu de Astronomia e Ciências Afins. 2010. 101 p.

CARTIER-BRESSON, Anne. Uma nova disciplina: a conservação-restauração de fotografias. In: CADERNOS técnicos de conservação fotográfica. Rio de Janeiro: Funarte, 2004. n. 3.

KOSSOY, Boris. Fotografia & História. Rio de Janeiro: Ateliê editorial. 2009a.

KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. Rio de Janeiro: Ateliê editorial. 2009b.

MAUAD, Ana Maria. Através da imagem: fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, n °. 2, 1996, p. 73-98. Disponível em: <http://www.historia.uff.br/tempo/artigos_dossie/artg2-4.pdf> Acesso: 17 set. 2010.

MELLO, Maria Teresa Villela Bandeira de; PIRES-ALVES, Fernando. Expedições científicas, fotografia e intenção documentária: as viagens do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913). História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.16, supl.1, jul. 2009, Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702009000500008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt> Acesso: 17 set. 2010.

Imagem. Imagens históricas. Disponível em:< http://www.d-olhonomundo.blogspot.com/2011/01/imagens-historicas-2.html> Acesso: 29 jan. 2011.